Capítulo 3

Início de Novembro de 2009, feira de Ciências e Português no colégio Mike McKenna.

     Finalmente as provas finais se aproximam. Daqui a algumas semanas vamos saber o resultado dos aprovados ou não. Eu sinceramente não aguentava mais.
     Faltava pouco para a formatura e eu brigada com a maioria dos meus amigos. Tudo por causa de um trabalho escolar mal sucedido. Às vezes eu me achava superior a todos eles por não pensar de uma forma tão infantil. Eu pensei que nossa amizade pudesse ser mais forte do que tal bobagem, mas não. E a pior parte disso tudo, com certeza vai ser apresentar o trabalho com todos aqueles que eu não falo mais.   

     Os únicos que me restaram foram a Paola, o Juliano, a Bárbara e o Gabriel. Como era uma feira sobre Ciências e Português, deveríamos interligar nossa apresentação com as duas matérias. Nosso trabalho era sobre aves, então falávamos sobre seus atributos físicos e fisiológicos, como poderiam voar e sobre sua reprodução. Já no estande voltado para Português, fizemos uma atividade dinâmica e interativa, onde os visitantes faziam em poucas palavras versinhos brancos que formavam um poema.
   
     Apesar de não estarmos interagindo entre os participantes do grupo, nosso trabalho ganhou um prêmio de melhor trabalho. Além de todas as briguinhas durante a execução do trabalho, agora surgia mais uma: quem levaria para casa o troféu.
    Eu estava tão exausta que por mim tanto fazia, mas Paola teve que me defender e dizer que "todas as idéias foram minhas". Enquanto todos discutiam por minha causa, eu estava lutando para manter minha visão focada, mas minhas tentativas foram inúteis a partir do momento em que simplesmente caí.

— Antônia! O que aconteceu?! - disse Paola.
— Alguém socorre, aqui! - gritou a professora.
— Antônia, mantenha os olhos abertos, fala comigo! - a diretora.
— Alguém ajude, aqui! - Paola em desespero.

     Fui retomando minha consciência aos poucos e ao abrir os olhos, vi uma roda de pessoas ao meu redor. Foi uma cena assustadora.

— Estamos ligando para seus pais! Fique calma, querida. - disse a diretora.
— Você tomou café da manhã? - respondi Paola balançando levemente a cabeça.
— Peguem um copo de café no escritório imediatamente! Pode se levantar? - diz a diretora enquanto me apoio em várias pessoas para me sentar.

     De repente ouço uma alta voz ao fundo e um barulho intenso de passos que se aproximam. Era o professor de Educação Física.

— NÃO A LEVANTEM, ELA PODE DESMA... - e assim foi interrompido com meu súbito desmaio.

     Assim que levemente acordei pude ouvir o alvoroço das pessoas me acompanhando. Eu estava nos braços de Gabriel, um dos poucos amigos que me restavam.
      Quando ele percebeu que eu começava a abrir os olhos gritou:

— Ela está acordando!
— Tenha mais cuidado! - certamente esta era a voz de Paola.
— Seu pai está a caminho! - não consegui identificar a voz.
— Ai amiga, eu te avisei... - repreendeu Paola.

     Meu pai demorou a chegar, então a professora de ciências me levou ao hospital mais próximo. Paola foi comigo, claro.

— O que você está sentindo? - enfermeira.
— Estou muito fraca.
— Se alimentou direito?
— NÃO! - Paola diz por mim. — Há semanas que ela não se alimenta direito.
— Por que?
— Sinto dores no estômago. - implorei com os olhos para que Paola não desmentisse minha versão.
— Vamos te dar um pouco de café, alguns biscoitos água e sal e vamos medicá-la através do soro.
— Mas e se eu ficar enjoada?
— Vamos descobrir o que você tem...

     Paola não saiu do meu lado um só minuto. Conversou com as enfermeiras e assinou alguns papéis como acompanhante enquanto meus pais não chegavam.
     Meus pais não demoraram muito para chegar. Primeiro meu pai e depois minha mãe. Ambos totalmente desesperados e querendo saber o que aconteceu.

     Assim que os exames saíram, constataram uma leve anemia e pediram para que eu me cuidasse mais. O clínico me receitou comer coisas leves e até mesmo "forçar" para que minha pressão não tornasse a baixar.
     Depois do susto meus pais ficariam atentos e eu tinha a certeza de que não poderia mais ignorar determinadas refeições.  

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