Final de Novembro de 2009, meu quarto.
— E foi exatamente assim, como aconteceu.
— Que ótimo amiga, estou super empolgada!
— Só não entendi porque a Cristina não aprovou a ideia... Vai ser bom para ela também.
— Deixa a Cretina para lá... Vamos falar de coisa boa!
— Tipo o que?
— Adivinha quem quer ficar contigo na formatura?
— Não faço a menor ideia...
— O Gabriel!
— O que?
— Sério! Ele me contou depois que saímos do colégio.
— Mentira? E o que eu faço?
— Fica com ele, ué...
— Eu não sei nem por onde começar!
— Imagina só, dar o primeiro beijo com um gatinho como ele?
— "Gatinho"? Que coisa antiga! - sorrimos. — Mas e você, vai ficar com alguém?
— Eu não... Até porque ninguém me quer!
— Mas que mentira! - assim que eu disse ela sorriu.
— Não sei amiga, às vezes eu só não sinto vontade.
— “Vontade” ou “à vontade”?
— Vontade. - silêncio.
A formatura chegaria e tudo era muito novo e importante para nós. A transição do Ensino Fundamental para o Ensino Médio parecia coisa de outro mundo. Nesse dia, também faríamos a transição para a adolescência. Pelo menos para mim e Paola, o primeiro beijo era novidade.
— Quando compraremos nossos vestidos?
— Minha mãe disse que podemos comprar nesse final de semana, em seu dia de folga.
— Posso ir com vocês?
— Você vai! Minha mãe já ligou para sua e está tudo certo.
— Caramba! Eu nem fiquei sabendo...
— Nós pensamos em tudo! Pode dizer que a família Blanc arrasa!
— Tudo bem, Antônia... A família Blanc arrasa!
— Isso!
Ainda sem sair do assunto “formatura”, começamos a imaginar a reação das pessoas ao saberem do tema.
— Mas então... Será que vão gostar do tema? - perguntei apreensiva.
— Como não gostar? É uma formatura... O tema nem é tão importante assim, a questão é viver a festa. Se você escolhesse a Pré-História como tema eles nem ligariam!
— Você é mesmo uma boba! Diz isso porque gosta de mim!
— Quem te iludiu?
— Não dá para saber, vamos ter que esperar até amanhã.
Nesse meio tempo, minha mãe chegou do trabalho e me gritou.
— Amiga, tenho que ir. Vou contar as novidades aqui em casa!
— Nos falamos amanhã! Beijos e tchau.
— Beijos e tchau.
(...)
— Que ótimo amiga, estou super empolgada!
— Só não entendi porque a Cristina não aprovou a ideia... Vai ser bom para ela também.
— Deixa a Cretina para lá... Vamos falar de coisa boa!
— Tipo o que?
— Adivinha quem quer ficar contigo na formatura?
— Não faço a menor ideia...
— O Gabriel!
— O que?
— Sério! Ele me contou depois que saímos do colégio.
— Mentira? E o que eu faço?
— Fica com ele, ué...
— Eu não sei nem por onde começar!
— Imagina só, dar o primeiro beijo com um gatinho como ele?
— "Gatinho"? Que coisa antiga! - sorrimos. — Mas e você, vai ficar com alguém?
— Eu não... Até porque ninguém me quer!
— Mas que mentira! - assim que eu disse ela sorriu.
— Não sei amiga, às vezes eu só não sinto vontade.
— “Vontade” ou “à vontade”?
— Vontade. - silêncio.
A formatura chegaria e tudo era muito novo e importante para nós. A transição do Ensino Fundamental para o Ensino Médio parecia coisa de outro mundo. Nesse dia, também faríamos a transição para a adolescência. Pelo menos para mim e Paola, o primeiro beijo era novidade.
— Quando compraremos nossos vestidos?
— Minha mãe disse que podemos comprar nesse final de semana, em seu dia de folga.
— Posso ir com vocês?
— Você vai! Minha mãe já ligou para sua e está tudo certo.
— Caramba! Eu nem fiquei sabendo...
— Nós pensamos em tudo! Pode dizer que a família Blanc arrasa!
— Tudo bem, Antônia... A família Blanc arrasa!
— Isso!
Ainda sem sair do assunto “formatura”, começamos a imaginar a reação das pessoas ao saberem do tema.
— Mas então... Será que vão gostar do tema? - perguntei apreensiva.
— Como não gostar? É uma formatura... O tema nem é tão importante assim, a questão é viver a festa. Se você escolhesse a Pré-História como tema eles nem ligariam!
— Você é mesmo uma boba! Diz isso porque gosta de mim!
— Quem te iludiu?
— Não dá para saber, vamos ter que esperar até amanhã.
Nesse meio tempo, minha mãe chegou do trabalho e me gritou.
— Amiga, tenho que ir. Vou contar as novidades aqui em casa!
— Nos falamos amanhã! Beijos e tchau.
— Beijos e tchau.
(...)
Minha mãe ficou maravilhada quando eu contei como foi o meu dia e mais uma vez tão animada quanto eu. Depois acabei contando para minha irmã, meu pai e até para uma prima que telefonou naquela noite. Eu estava me sentindo especial por ter essa responsabilidade toda. (...)
Semana final de Novembro de 2009, sala de aula no colégio Mike McKenna.
— Bom dia, turma! Peço para que todos prestem atenção!
Mal entramos na sala e a professora nos pediu atenção. Ninguém imaginava o que estava por vir.
— Peço para que as oradoras venham à frente para contar as decisões sobre a formatura!
Eu não sei se estava preparada. A professora nos entregou alguns papéis oficiais do colégio, assim poderíamos passar cada detalhe sem esquecimentos. Eu falaria antes de Cristina.
Assim que anunciei o tema poucos se manifestaram a favor. Não poderíamos trocar o tema depois de escolhido então fiquei totalmente sem ação.
É claro que Cristina adorou a reprovação de todos e fez questão de dizer que sua sugestão tinha sido um baile de máscaras.
Minha vontade foi de sair correndo ao ver a aprovação imediata que suas palavras tiveram. As meninas disseram aprovar a ideia de Cristina. Em milésimos de segundos eu tentei compreender qual era o problema daquelas pessoas. Um baile de máscaras? Esconder a maquiagem caríssima? Amassar o rosto? Quem em sã consciência aprovaria isso? Uma noite Hollywoodiana parecia muito mais digna de quem gostaria de fazer mistério.
— Acalmem-se! Deixem a oradora falar! - pediu a professora. — Continue, Antônia.
— Eu não desmereço a ideia que a Cristina teve, mas por favor, pensem. Nosso tema não terá volta e... - fui imediatamente interrompida pelo seguinte comentário:
— Isso que dá escolher qualquer uma. - não pude identificar de onde veio.
— Gente, eu não tenho a menor culpa! Vocês querem esconder o rosto ao invés de mostra-los? A noite Hollywoodiana terá o seu mistério como um baile de máscaras! Todos ficarão curiosos para saber sobre o vestido que as meninas vão usar, a maquiagem, o penteado... O traje dos meninos também será surpresa. Eu não quero ter que esconder meu rosto na noite que tem tudo para ser inesquecível! A noite em que cada um de nós pode de certa forma se destacar.
Meus amigos me apoiavam no meio da sala, mas o debate foi assustador. Alguns concordavam comigo, outros simplesmente não. Eu não sei se a atitude certa seria mudar de opinião e pedir para que trocassem o tema. Depois de tanta discussão, a coordenadora precisou ser chamada.
— Primeira coisa... Por que não gostaram do tema?
— Porque o da Cristina é muito mais legal! - diz um menino da sala.
— Eu concordo! - diz outra pessoa e outra; e outra; e outra...
— Ainda há tempo de decidir sobre o tema... Precisa ser agora! - diz Rejane com um ar preocupado.
Eram quarenta alunos votantes. Eu recebi quinze votos, incluindo o meu, de Paola, Juliano, Gabriel, da professora e a própria Rejane. Só não fiquei mais decepcionada por ter recebido o voto de pessoas tão importantes. Assim que decidiram trocar o tema, precisei sair de sala para organizar algumas coisas.
— Pode resolver. - eu disse para Cristina. Se a festa desse errado que fosse por suas próprias mãos.
— Me acompanhe por favor, Antônia. - disse Rejane, me resgatando de toda aquela cena.
No escritório de Rejane eu não pude evitar cair aos prantos. Como eles puderam trocar o tema? A formatura não será a mesma para mim... Não por ter trocado o tema, mas por ele ser muito ruim!
Rejane me consolou e disse que se eu quisesse, estaria dispensada da aula. Ela fez questão de ir em nossa classe avisar à professora - na frente de todos - que eu iria ajudá-la naquele dia de aula.
As aulas da última semana eram revisões para as provas, caso alguém ficasse de recuperação. Para minha sorte, eu tinha plena certeza de que não estava de recuperação, então Rejane intercedeu por mim.
Eu não aguentaria a afronta e os comentários maldosos de um dia inteiro. Minha vontade era sumir.
— Peço para que as oradoras venham à frente para contar as decisões sobre a formatura!
Eu não sei se estava preparada. A professora nos entregou alguns papéis oficiais do colégio, assim poderíamos passar cada detalhe sem esquecimentos. Eu falaria antes de Cristina.
Assim que anunciei o tema poucos se manifestaram a favor. Não poderíamos trocar o tema depois de escolhido então fiquei totalmente sem ação.
É claro que Cristina adorou a reprovação de todos e fez questão de dizer que sua sugestão tinha sido um baile de máscaras.
Minha vontade foi de sair correndo ao ver a aprovação imediata que suas palavras tiveram. As meninas disseram aprovar a ideia de Cristina. Em milésimos de segundos eu tentei compreender qual era o problema daquelas pessoas. Um baile de máscaras? Esconder a maquiagem caríssima? Amassar o rosto? Quem em sã consciência aprovaria isso? Uma noite Hollywoodiana parecia muito mais digna de quem gostaria de fazer mistério.
— Acalmem-se! Deixem a oradora falar! - pediu a professora. — Continue, Antônia.
— Eu não desmereço a ideia que a Cristina teve, mas por favor, pensem. Nosso tema não terá volta e... - fui imediatamente interrompida pelo seguinte comentário:
— Isso que dá escolher qualquer uma. - não pude identificar de onde veio.
— Gente, eu não tenho a menor culpa! Vocês querem esconder o rosto ao invés de mostra-los? A noite Hollywoodiana terá o seu mistério como um baile de máscaras! Todos ficarão curiosos para saber sobre o vestido que as meninas vão usar, a maquiagem, o penteado... O traje dos meninos também será surpresa. Eu não quero ter que esconder meu rosto na noite que tem tudo para ser inesquecível! A noite em que cada um de nós pode de certa forma se destacar.
Meus amigos me apoiavam no meio da sala, mas o debate foi assustador. Alguns concordavam comigo, outros simplesmente não. Eu não sei se a atitude certa seria mudar de opinião e pedir para que trocassem o tema. Depois de tanta discussão, a coordenadora precisou ser chamada.
— Primeira coisa... Por que não gostaram do tema?
— Porque o da Cristina é muito mais legal! - diz um menino da sala.
— Eu concordo! - diz outra pessoa e outra; e outra; e outra...
— Ainda há tempo de decidir sobre o tema... Precisa ser agora! - diz Rejane com um ar preocupado.
Eram quarenta alunos votantes. Eu recebi quinze votos, incluindo o meu, de Paola, Juliano, Gabriel, da professora e a própria Rejane. Só não fiquei mais decepcionada por ter recebido o voto de pessoas tão importantes. Assim que decidiram trocar o tema, precisei sair de sala para organizar algumas coisas.
— Pode resolver. - eu disse para Cristina. Se a festa desse errado que fosse por suas próprias mãos.
— Me acompanhe por favor, Antônia. - disse Rejane, me resgatando de toda aquela cena.
No escritório de Rejane eu não pude evitar cair aos prantos. Como eles puderam trocar o tema? A formatura não será a mesma para mim... Não por ter trocado o tema, mas por ele ser muito ruim!
Rejane me consolou e disse que se eu quisesse, estaria dispensada da aula. Ela fez questão de ir em nossa classe avisar à professora - na frente de todos - que eu iria ajudá-la naquele dia de aula.
As aulas da última semana eram revisões para as provas, caso alguém ficasse de recuperação. Para minha sorte, eu tinha plena certeza de que não estava de recuperação, então Rejane intercedeu por mim.
Eu não aguentaria a afronta e os comentários maldosos de um dia inteiro. Minha vontade era sumir.
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